Fadas

***AS FADAS ATUALMENTE NÃO SÃO UMA RAÇA JOGÁVEL*** 

As fadas, também conhecidas como o Povo das Fadas ou feéricos, são uma das raças mais antigas e traiçoeiras do Submundo. Diz-se que nasceram da união entre anjos e demônios, carregando em si tanto a beleza dos anjos quanto a maldade dos demônios. Embora se assemelhem bastante aos humanos, sempre há algo em sua aparência que denuncia sua verdadeira natureza: asas, orelhas pontiagudas, olhos em tons sobrenaturais, cabelos que mudam de cor e, em algumas espécies, até dentes de tubarão. Encantadoras, sim — mas jamais inofensivas. Por isso, jamais aceite algo vindo delas — nem comida, nem bebida, muito menos promessas — pois tudo tem um preço, e ele costuma ser alto demais.

O povo feérico se organiza em duas cortes principais: a Corte Seelie, liderada pela Rainha Seelie, e a Corte Unseelie, sob o comando do Rei Unseelie. Embora diferentes em aparência e costumes, muitos afirmam que a verdadeira diferença entre ambas é apenas uma questão de fachada: uma esconde sua crueldade por trás de beleza e cortesia; a outra a exibe sem pudor. Ambas, no entanto, podem arruinar você — uma com ameaças, a outra com sorrisos. Além dessas cortes, existe ainda a Caçada Selvagem, uma facção independente, composta por fadas das duas cortes e até mesmo por mortos. São conhecidos por diversos nomes: Coletores de Mortos, Furioso Anfitrião, Selvagem Anfitrião, ou Cães de Gabriel. Andam pela noite, cruzando céus e terras em uma perseguição eterna. Antecipam batalhas, recolhem os corpos ao fim delas e reivindicam os que estão prestes a morrer para servi-los ou unir-se à Caçada. Uma vez dentro dela, só é possível sair se for concedida permissão — e isso raramente acontece.

Existem várias entradas para Faerie. Uma delas é a Lagoa da Tartaruga, no Central Park, acessível ao recuar até o reflexo da lua na água. Outra passagem lendária é o Portão de Lir, uma porta mágica para o Reino das Fadas, acessível apenas no exato momento em que a lua refletida no oceano parece sólida, brilhando com um clarão esverdeado. Nesse instante, forma-se sobre as ondas uma trilha luminosa e cristalina — chamada de trilha da lua — que se estende como uma ponte fina e delicada sobre as águas profundas.

Essa trilha não é apenas bela, mas traiçoeira: seu brilho lembra vidro fino que se dobra sob os pés, desafiando os viajantes a manter o equilíbrio enquanto caminham. Sob eles, a escuridão do oceano abriga algas, cardumes e criaturas marinhas gigantescas, seres imensos e perigosos. O risco de a trilha se romper é constante, podendo fazer os incautos caírem na água fria e ameaçadora.

No fim da trilha, forma-se um arco de água reluzente, o próprio Portão de Lir, guardado por uma puca — uma fada de pele escura e cabelos longos com fios dourados. Sua voz, suave e profunda como a maré ao pôr do sol, impõe regras rígidas para permitir a passagem. A puca reconhece a verdadeira natureza dos que tentam atravessar: fadas, humanos e Nephilim (Caçadores de Sombras). Para os Nephilim, a travessia é especialmente perigosa, pois o Povo das Fadas não nutre amizade por eles desde a Paz Fria, e quem for encontrado no Reino pode ser preso, torturado ou morto. Antes de cruzar, os viajantes devem pagar um pedágio — um preço que pode ser negociado, mas jamais ignorado.

Além de separar dois mundos, o Portão oferece um segredo tentador: atravessá-lo pode permitir que alguém veja novamente o rosto de uma pessoa amada já falecida, mas esse segredo não pode ser revelado a ninguém, sob pena de perder seu efeito. O tempo para atravessar é curto, pois a trilha da lua é efêmera, começando a se desfazer rapidamente como gelo ao sol da primavera. É preciso agir rápido, saltando de um fragmento a outro dessa ponte brilhante que desaparece sob os pés.

As fadas da Corte Seelie esperam que cortesia e favores sejam cumpridos; caso contrário, exigem retribuição e vingam qualquer insulto ou ofensa. Apesar da aparência benevolente, são enganosas e egoístas, sujeitas a travessuras e truques. Embora não possam mentir, nem sempre são totalmente honestas, distorcendo palavras e falando meias-verdades.

O reino em que vivem, chamado Faerie ou também A Terra Sob a Colina, é volátil e imprevisível. Tempo e espaço ali não seguem lógica humana. Estações mudam num instante, caminhos desaparecem, e a própria terra se molda de acordo com a vontade do rei ou da rainha. Comer ou beber algo dentro de Faerie pode prender o visitante para sempre, fazendo-o esquecer quem era e tornando-o parte daquele mundo.

As fadas não podem mentir — mas isso não as torna confiáveis. Dominam com maestria a arte da ambiguidade: dizem meias verdades, omitem detalhes cruciais e manipulam palavras como ninguém. Já os parte-feéricos, filhos de humanos com fadas, podem mentir normalmente. Por isso, são usados com frequência como porta-vozes e representantes nas relações com o mundo exterior. Meliorn, cavaleiro da Corte Seelie, chegou a ocupar um assento no Conselho, mas acabou morto por Alec Lightwood.

Em dezembro de 2007, a Rainha Seelie aliou-se a Sebastian Morgenstern durante a Guerra Maligna contra os Nephilim — uma escolha que levou à derrota do povo feérico. Como consequência, a Clave impôs severas sanções. Entre elas: fadas foram obrigadas a pagar reparações pelas mortes causadas em ataques aos Institutos e à Praetor Lupus; perderam o direito de manter exércitos armados — qualquer fada vista portando armas sem aprovação poderia ser morta legalmente — e deixaram de ser protegidas pelos Acordos. Além disso, diversos parte-feéricos foram exilados, sendo alguns enviados para a Ilha Wrangel e outros dispersos conforme julgamento da Clave.

Apesar de seguirem uma rígida etiqueta e honra, as fadas sempre cumprem promessas ao pé da letra, jamais com base na intenção de quem as ouve — por isso, todo trato com uma fada é um risco. Em combate, são ágeis, ferozes e contam com sentidos aguçados. Sua magia é um misterios, embora acredita-se que tenha raízes elementais ou mentais, e frequentemente escapa às defesas tradicionais dos Caçadores de Sombras.

A reprodução entre elas é rara e difícil. Por isso, é comum que sequestram crianças humanas para renovar suas linhagens. Essas crianças são trocadas por changelings — bebês fadas doentes deixados no lugar. As humanas levadas a Faerie podem, se criadas nas cortes, adquirir características e até habilidades feéricas.

Mesmo com sua força e longevidade, as fadas possuem fraquezas. Ferro puro, madeira de sorveira, sal, terra de cemitério e água benta as afetam seriamente. E o conhecimento de seu nome verdadeiro confere poder sobre elas — por isso, esses nomes são guardados com extremo zelo. Parte-feéricos, no entanto, não estão sujeitos a essa vulnerabilidade.

Por fim, nunca aceite barganhas. Não prove o que oferecem. Não participe de festas sob as colinas. Não zombe da aparência de uma fada. E jamais espere respostas diretas. Esses são conselhos do Códex dos Caçadores de Sombras — e segui-los é a melhor forma de continuar vivo diante dessas criatuRas.

RPG Os Instrumentos Mortais: Cidade das Sombras
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